A minha relação com computadores e videojogos começou muito cedo.
Devia ter uns 7 ou 8 anos quando tive o primeiro contacto com um computador, em casa de um amigo. Na altura, aquilo era algo completamente diferente de tudo o que conhecia e despertou-me logo a curiosidade.
O meu primeiro computador foi um ZX Spectrum +2A, oferecido pelo meu avô paterno.
Foi aí que começou verdadeiramente esta paixão.
Lembro-me perfeitamente das cassetes, dos tempos de carregamento e do famoso "Tape Loading Error".
Mas não era só jogar. Também comecei a experimentar o BASIC e a fazer pequenas coisas por minha conta. Era fascinante perceber que aquela máquina podia fazer aquilo que nós lhe mandávamos.
Um dos jogos de que mais me lembro dessa época é o Livingstone Supongo. Passei muitas horas a jogar, muitas vezes com um amigo.
E havia também aqueles jogos que hoje nos fazem sorrir quando pensamos neles, como o Paradise Café.
Do Spectrum para outras máquinas
Depois do Spectrum, a minha relação com os videojogos não ficou propriamente mais pequena.
Entre o Spectrum e o primeiro PC tive um Commodore Amiga 600, uma máquina de jogos extraordinária.
Tive-o mais ou menos na mesma altura em que tive a Mega Drive 2 e foram anos em que joguei imenso.
Na Mega Drive ficaram alguns dos jogos que ainda hoje me lembro perfeitamente: Sonic the Hedgehog 2, Sonic & Knuckles, Mortal Kombat 3 e Street Fighter II.
O Amiga era outra história. Para mim, naquela altura, era uma máquina incrível e abriu-me também a porta para outro tipo de jogos.
Passei demasiadas horas agarrado a aventuras gráficas como Hook e The Secret of Monkey Island.
Eram jogos que nos obrigavam a explorar, experimentar coisas, falar com personagens e descobrir soluções. Havia qualquer coisa de especial naquela forma de jogar.
Mais tarde tive também uma PlayStation 1 e uma XBOX. E, depois disso, começaram os computadores mais a sério.
O primeiro PC
O meu primeiro PC foi um 486SX2 a 50 MHz.
Para quem olha hoje para as especificações de um computador, pode parecer quase pré-histórico. Para mim, naquela altura, era uma máquina fantástica.
Usava MS-DOS e Windows 3.1 e, mais tarde, instalei o Windows 95, usando aquelas intermináveis disquetes.
Foi com esse computador que comecei a aprender ainda mais e a perceber melhor todo o mundo que existia por trás dos jogos e do próprio computador.
Na escola, no Colégio Bartolomeu Dias, frequentei um curso tecnológico de informática.
Tive também um amigo completamente apaixonado por computadores e videojogos que me ensinou imenso. Foi uma fase em que comecei a perceber que havia sempre mais qualquer coisa para descobrir.
E isso acabou por ficar comigo.
A chegada da Internet
A Internet apareceu também relativamente cedo na minha vida.
Primeiro através das ligações telefónicas e dos modems de 56k. Aqueles sons do modem a ligar ainda estão na memória.
Passei pelo IRC, pelos fóruns, pelos primeiros blogs e por todo aquele mundo que começava a crescer na Internet.
Como sempre gostei de carros, andava por sites dedicados a alterações e preparação automóvel. E, ao mesmo tempo, comecei a criar sites relacionados com outra das minhas paixões: o modelismo ferroviário.
Usei Dreamweaver, mais tarde algumas coisas em Flash, e cheguei a ter o blog luislopesmodelismo.blogspot.com.
Foi uma época em que se aprendia muito simplesmente porque queríamos fazer alguma coisa e tínhamos de descobrir como fazê-la.
Os jogos que ficaram
Ao longo dos anos foram muitos os jogos que me marcaram.
Além dos que já referi, lembro-me do Need for Speed Underground 2, do SimCity original e de muitos outros.
Mas há jogos que ficam associados a determinadas fases da vida.
O Sonic, o Mortal Kombat, o Street Fighter, as aventuras gráficas...
Hoje, os meus jogos preferidos são sobretudo os simuladores.
E isso também tem uma explicação.
Gosto de simuladores porque, além de jogar, estou constantemente a descobrir coisas novas. Há sempre alguma coisa para aprender, seja sobre aviões, camiões, condução, navegação ou simplesmente sobre a forma como determinada coisa funciona.
O Euro Truck Simulator 2, por exemplo, acabou por ter uma influência curiosa na minha vida: ajudou-me a ganhar confiança e conhecimentos que contribuíram para tirar a carta de condução.
Para mim, jogar sempre foi uma mistura de simulação, tecnologia e diversão.
Do gaming para o streaming
O streaming apareceu mais tarde.
Comecei a acompanhar streamers de videojogos e pensei que também podia experimentar. Inicialmente, a ideia era fazer streaming enquanto construía a minha maqueta de modelismo ferroviário.
O objetivo era simples: partilhar aquilo que sabia e aquilo que fazia.
A partir daí, o caminho foi mudando.
Passei pelo modelismo ferroviário, depois pelo Euro Truck Simulator 2 e American Truck Simulator, mais tarde pelo Microsoft Flight Simulator 2020 e, atualmente, também pelo meu trabalho como motorista TVDE, que acabou por trazer o conteúdo IRL para o canal.
É engraçado olhar para trás e perceber que, de certa forma, continuo a fazer a mesma coisa: partilhar aquilo que estou a aprender e aquilo que gosto de fazer.
O computador que tenho hoje
O meu PC atual já está muito longe daquele 486.
Tenho um Intel Core i7-14700KF, uma RTX 4070 Super, 32 GB de RAM DDR5 e uma Gigabyte Z790 Gaming AX.
Foi uma prenda de Natal em 2023 e foi uma grande evolução, sobretudo por causa da placa gráfica. A diferença que uma boa gráfica faz nos jogos que utilizo é enorme.
Continuo a escolher hardware tentando encontrar um equilíbrio entre preço e desempenho. Gosto de acompanhar o que existe no mercado, perceber o que vale realmente a pena e ir melhorando o equipamento quando faz sentido.
Também gosto da parte de montar, trocar componentes e melhorar o computador. Faz parte da diversão.
E continuo a querer mais
Apesar de já ter tido muitas máquinas ao longo dos anos, continuo a ter vontade de experimentar coisas novas.
Gostava de voltar a ter um cockpit para o ATS e ETS2 e quero também investir, quando for possível, em algum hardware para o MSFS 2024.
Entretanto, aconteceu mais uma coisa curiosa: entrei para a GTZ eSports.
É uma experiência nova e, sinceramente, também tem a sua piada pensar que, depois de tantos anos a jogar, continuo a encontrar novas formas de viver este mundo.
Mais do que jogar
Para mim, os computadores e os videojogos são muito mais do que simplesmente passar tempo.
São uma forma de desligar do stress do dia a dia. Prefiro muitas vezes sentar-me a jogar ou a mexer no computador do que ficar simplesmente sentado em frente à televisão a ver parvoíces.
É também uma área que me obriga constantemente a aprender.
Investigo muito, vejo vídeos no YouTube, leio, experimento e falo com muitas pessoas, principalmente através do chat das streams. Muitas vezes, uma conversa ou uma pergunta acaba por me levar a descobrir qualquer coisa nova.
E é isso que gosto neste mundo: há sempre alguma coisa para aprender.
Da cassete ao streaming
Quando penso na viagem toda, é engraçado perceber a distância entre o primeiro Spectrum e o computador que tenho hoje.
Passei das cassetes e do "Tape Loading Error" para os discos rígidos rápidos, da Internet por modem para a fibra, dos pequenos programas em BASIC para sites, blogs, YouTube e Twitch.
Tive um Spectrum, um Amiga 600, uma Mega Drive 2, uma PlayStation 1, uma XBOX e vários PCs. Joguei aventuras gráficas, jogos de luta, corridas, estratégia e, hoje, passo grande parte do meu tempo em simuladores.
E continuo a gostar disto tanto como quando era miúdo.
Os computadores, os videojogos, os simuladores, o streaming e toda a tecnologia à volta deles fazem parte da minha vida há décadas.
E, olhando para trás, acho que aquele miúdo que recebeu um Spectrum +2A do avô provavelmente ficaria bastante contente ao ver o computador que tenho hoje.