TECNOLOGIA

Da fita cassete ao gaming: a minha paixão por informática e tecnologia

29 de setembro de 2026

A minha relação com computadores e videojogos começou muito cedo.

Devia ter uns 7 ou 8 anos quando tive o primeiro contacto com um computador, em casa de um amigo. Na altura, aquilo era algo completamente diferente de tudo o que conhecia e despertou-me logo a curiosidade.

O meu primeiro computador foi um ZX Spectrum +2A, oferecido pelo meu avô paterno.

ZX Spectrum +2A
“Foi aqui que começou a minha relação com os computadores e os jogos.”

Foi aí que começou verdadeiramente esta paixão.

Lembro-me perfeitamente das cassetes, dos tempos de carregamento e do famoso "Tape Loading Error".

Mas não era só jogar. Também comecei a experimentar o BASIC e a fazer pequenas coisas por minha conta. Era fascinante perceber que aquela máquina podia fazer aquilo que nós lhe mandávamos.

Um dos jogos de que mais me lembro dessa época é o Livingstone Supongo. Passei muitas horas a jogar, muitas vezes com um amigo.

E havia também aqueles jogos que hoje nos fazem sorrir quando pensamos neles, como o Paradise Café.

Do Spectrum para outras máquinas

Depois do Spectrum, a minha relação com os videojogos não ficou propriamente mais pequena.

Entre o Spectrum e o primeiro PC tive um Commodore Amiga 600, uma máquina de jogos extraordinária.

Commodore Amiga 600
“Uma máquina de jogos extraordinária, numa época em que cada jogo parecia uma aventura.”

Tive-o mais ou menos na mesma altura em que tive a Mega Drive 2 e foram anos em que joguei imenso.

Na Mega Drive ficaram alguns dos jogos que ainda hoje me lembro perfeitamente: Sonic the Hedgehog 2, Sonic & Knuckles, Mortal Kombat 3 e Street Fighter II.

Consola Mega Drive 2
“Sonic, Street Fighter e tantas outras horas passadas a jogar. Era difícil largar o comando.”

O Amiga era outra história. Para mim, naquela altura, era uma máquina incrível e abriu-me também a porta para outro tipo de jogos.

Passei demasiadas horas agarrado a aventuras gráficas como Hook e The Secret of Monkey Island.

Eram jogos que nos obrigavam a explorar, experimentar coisas, falar com personagens e descobrir soluções. Havia qualquer coisa de especial naquela forma de jogar.

Mais tarde tive também uma PlayStation 1 e uma XBOX. E, depois disso, começaram os computadores mais a sério.

O primeiro PC

O meu primeiro PC foi um 486SX2 a 50 MHz.

Para quem olha hoje para as especificações de um computador, pode parecer quase pré-histórico. Para mim, naquela altura, era uma máquina fantástica.

Usava MS-DOS e Windows 3.1 e, mais tarde, instalei o Windows 95, usando aquelas intermináveis disquetes.

Foi com esse computador que comecei a aprender ainda mais e a perceber melhor todo o mundo que existia por trás dos jogos e do próprio computador.

Na escola, no Colégio Bartolomeu Dias, frequentei um curso tecnológico de informática.

Tive também um amigo completamente apaixonado por computadores e videojogos que me ensinou imenso. Foi uma fase em que comecei a perceber que havia sempre mais qualquer coisa para descobrir.

E isso acabou por ficar comigo.

A chegada da Internet

A Internet apareceu também relativamente cedo na minha vida.

Primeiro através das ligações telefónicas e dos modems de 56k. Aqueles sons do modem a ligar ainda estão na memória.

Passei pelo IRC, pelos fóruns, pelos primeiros blogs e por todo aquele mundo que começava a crescer na Internet.

Como sempre gostei de carros, andava por sites dedicados a alterações e preparação automóvel. E, ao mesmo tempo, comecei a criar sites relacionados com outra das minhas paixões: o modelismo ferroviário.

Usei Dreamweaver, mais tarde algumas coisas em Flash, e cheguei a ter o blog luislopesmodelismo.blogspot.com.

Foi uma época em que se aprendia muito simplesmente porque queríamos fazer alguma coisa e tínhamos de descobrir como fazê-la.

Consola Xbox original
“Entre consolas, PCs e simuladores, a paixão pelos videojogos nunca desapareceu.”

Os jogos que ficaram

Ao longo dos anos foram muitos os jogos que me marcaram.

PlayStation original
“A PlayStation trouxe outra dimensão aos jogos e às aventuras que eu queria descobrir.”

Além dos que já referi, lembro-me do Need for Speed Underground 2, do SimCity original e de muitos outros.

Mas há jogos que ficam associados a determinadas fases da vida.

O Sonic, o Mortal Kombat, o Street Fighter, as aventuras gráficas...

Hoje, os meus jogos preferidos são sobretudo os simuladores.

E isso também tem uma explicação.

Gosto de simuladores porque, além de jogar, estou constantemente a descobrir coisas novas. Há sempre alguma coisa para aprender, seja sobre aviões, camiões, condução, navegação ou simplesmente sobre a forma como determinada coisa funciona.

O Euro Truck Simulator 2, por exemplo, acabou por ter uma influência curiosa na minha vida: ajudou-me a ganhar confiança e conhecimentos que contribuíram para tirar a carta de condução.

Para mim, jogar sempre foi uma mistura de simulação, tecnologia e diversão.

Do gaming para o streaming

O streaming apareceu mais tarde.

Comecei a acompanhar streamers de videojogos e pensei que também podia experimentar. Inicialmente, a ideia era fazer streaming enquanto construía a minha maqueta de modelismo ferroviário.

O objetivo era simples: partilhar aquilo que sabia e aquilo que fazia.

A partir daí, o caminho foi mudando.

Passei pelo modelismo ferroviário, depois pelo Euro Truck Simulator 2 e American Truck Simulator, mais tarde pelo Microsoft Flight Simulator 2020 e, atualmente, também pelo meu trabalho como motorista TVDE, que acabou por trazer o conteúdo IRL para o canal.

É engraçado olhar para trás e perceber que, de certa forma, continuo a fazer a mesma coisa: partilhar aquilo que estou a aprender e aquilo que gosto de fazer.

O computador que tenho hoje

O meu PC atual já está muito longe daquele 486.

Tenho um Intel Core i7-14700KF, uma RTX 4070 Super, 32 GB de RAM DDR5 e uma Gigabyte Z790 Gaming AX.

Foi uma prenda de Natal em 2023 e foi uma grande evolução, sobretudo por causa da placa gráfica. A diferença que uma boa gráfica faz nos jogos que utilizo é enorme.

Continuo a escolher hardware tentando encontrar um equilíbrio entre preço e desempenho. Gosto de acompanhar o que existe no mercado, perceber o que vale realmente a pena e ir melhorando o equipamento quando faz sentido.

Também gosto da parte de montar, trocar componentes e melhorar o computador. Faz parte da diversão.

E continuo a querer mais

Apesar de já ter tido muitas máquinas ao longo dos anos, continuo a ter vontade de experimentar coisas novas.

Gostava de voltar a ter um cockpit para o ATS e ETS2 e quero também investir, quando for possível, em algum hardware para o MSFS 2024.

Entretanto, aconteceu mais uma coisa curiosa: entrei para a GTZ eSports.

É uma experiência nova e, sinceramente, também tem a sua piada pensar que, depois de tantos anos a jogar, continuo a encontrar novas formas de viver este mundo.

Mais do que jogar

Para mim, os computadores e os videojogos são muito mais do que simplesmente passar tempo.

São uma forma de desligar do stress do dia a dia. Prefiro muitas vezes sentar-me a jogar ou a mexer no computador do que ficar simplesmente sentado em frente à televisão a ver parvoíces.

É também uma área que me obriga constantemente a aprender.

Investigo muito, vejo vídeos no YouTube, leio, experimento e falo com muitas pessoas, principalmente através do chat das streams. Muitas vezes, uma conversa ou uma pergunta acaba por me levar a descobrir qualquer coisa nova.

E é isso que gosto neste mundo: há sempre alguma coisa para aprender.

Da cassete ao streaming

Quando penso na viagem toda, é engraçado perceber a distância entre o primeiro Spectrum e o computador que tenho hoje.

Passei das cassetes e do "Tape Loading Error" para os discos rígidos rápidos, da Internet por modem para a fibra, dos pequenos programas em BASIC para sites, blogs, YouTube e Twitch.

Tive um Spectrum, um Amiga 600, uma Mega Drive 2, uma PlayStation 1, uma XBOX e vários PCs. Joguei aventuras gráficas, jogos de luta, corridas, estratégia e, hoje, passo grande parte do meu tempo em simuladores.

E continuo a gostar disto tanto como quando era miúdo.

Os computadores, os videojogos, os simuladores, o streaming e toda a tecnologia à volta deles fazem parte da minha vida há décadas.

E, olhando para trás, acho que aquele miúdo que recebeu um Spectrum +2A do avô provavelmente ficaria bastante contente ao ver o computador que tenho hoje.