Vida pessoal

Construir uma vida melhor, um passo de cada vez

23 de outubro de 2026

Há fases da vida em que percebemos que precisamos de mudar alguma coisa. Nem sempre sabemos exatamente o quê, nem temos um plano perfeito para resolver tudo. Sabemos apenas que não podemos continuar a viver da mesma maneira.

É mais ou menos onde estou neste momento.

Depois do episódio que me levou ao hospital, comecei a olhar para a minha vida de outra forma. Foi um wake-up call, um daqueles momentos em que somos obrigados a parar e a pensar no que realmente importa.

Não tenho tudo resolvido. Continuo a ter preocupações, objetivos por alcançar e dias em que a ansiedade me faz pensar se vou conseguir dar a volta a todas as questões. Mas comecei a perceber que não vale a pena querer resolver tudo de um dia para o outro. Estou a tentar encontrar o meu equilíbrio, respeitar os meus limites e avançar um passo de cada vez.

Uma vida melhor não significa ganhar mais dinheiro

Durante muito tempo, é fácil cair na ideia de que precisamos de ganhar mais, trabalhar mais e produzir mais para estarmos melhor. Como se o sucesso pudesse ser medido apenas pelo dinheiro que temos na conta bancária ou pelos objetivos que conseguimos atingir.

Hoje, penso de outra maneira.

Para mim, construir uma vida melhor começa por alcançar estabilidade emocional e mental. Quero sentir-me bem comigo próprio, ter tranquilidade e conseguir aproveitar a vida sem estar constantemente preocupado com aquilo que ainda falta fazer.

Claro que o dinheiro é importante. Ajuda a pagar as contas, dá segurança e permite concretizar objetivos. Mas não pode ser tudo. Não quero passar a vida a trabalhar para ganhar dinheiro e, pelo caminho, deixar de ter tempo e vontade para aproveitar aquilo que esse dinheiro deveria ajudar a proporcionar.

O segredo também está no que não gastamos

Um dos meus melhores amigos costuma dizer-me uma coisa que faz cada vez mais sentido:

«O segredo não está no que se ganha, mas sim no que não se gasta.»

Tenho tentado aplicar este conselho ao meu dia a dia. Comecei por reduzir despesas e prestar mais atenção aos pequenos gastos que, quando se tornam habituais, acabam por pesar no orçamento.

Reduzi o valor do seguro, deixei de gastar regularmente em cervejas, lanches e almoços na rua e passei a controlar melhor os carregamentos do Tesla. Como também mudei a minha forma de trabalhar e faço menos quilómetros, acabo por gastar menos energia.

Não se trata de deixar de viver ou de nunca mais comprar alguma coisa de que gosto. Trata-se de fazer escolhas conscientes.

O dinheiro que consigo poupar pode fazer falta numa eventualidade ou ficar guardado para um pequeno mimo para o Duarte ou para mim. E saber que tenho alguma margem para lidar com imprevistos dá-me uma tranquilidade que vale muito.

Aprender a respeitar o meu tempo

Outra das mudanças foi na forma como encaro o trabalho em TVDE.

Já não sinto a necessidade de mostrar nas redes sociais que sou o melhor motorista ou aquele que mais fatura. Não preciso de provar nada a ninguém através dos números do final do dia.

Preciso, isso sim, de mostrar a mim próprio que consigo trabalhar de uma forma mais equilibrada e que o trabalho não tem de ocupar todos os espaços da minha vida.

Hoje, dou mais importância ao descanso e à vida pessoal. Os fins de semana são meus. Não trabalho nesses dias e procuro dedicá-los a mim ou a estar com o Duarte.

Pode parecer uma mudança pequena, mas não é. Ter tempo para descansar, conviver ou simplesmente não ter de pensar no trabalho é algo que quero continuar a preservar.

Ainda tenho objetivos financeiros e sei que há muito para fazer. A diferença é que já não quero alcançá-los a qualquer custo.

O meu maior sucesso tem nome: Duarte

Quando penso no que significa ter sucesso, a primeira coisa que me vem à cabeça não é uma conta bancária, um carro ou uma casa.

É o Duarte.

Quero vê-lo crescer, tornar-se um homem com H maiúsculo e, acima de tudo, ser um jovem feliz. Quero estar presente na vida dele, acompanhar os treinos e os jogos de futebol, saber como corre a escola, conhecer as amizades que vai construindo e perceber as dificuldades com que se depara.

Não quero limitar-me a perguntar se está tudo bem e aceitar um «sim» como resposta. Quero ter tempo e disponibilidade para o ouvir, para o acompanhar e para fazer parte do seu crescimento.

É por isso que ter mais tempo para ele é uma das minhas prioridades. Não consigo controlar tudo o que a vida lhe vai trazer, mas posso tentar estar presente e dar-lhe o apoio de que precisa.

No final, é isso que considero um verdadeiro sucesso: olhar para o meu filho e saber que estou a fazer o melhor que posso para o ajudar a crescer feliz.

Há coisas que quero voltar a fazer

Também quero recuperar uma parte de mim que, com o trabalho e as preocupações, foi ficando para segundo plano: os meus hobbies.

Sempre tive paixões que me ajudam a desligar do mundo. O modelismo ferroviário foi uma delas. Os jogos de simulação são outra.

O Microsoft Flight Simulator 2024, o Euro Truck Simulator 2 e o American Truck Simulator são muito mais do que jogos para mim. Aliás, foram os simuladores de camiões que me despertaram o interesse e contribuíram para que tirasse a carta de pesados.

Também gosto de videojogos no geral, de tecnologia e de criar conteúdo. E quero voltar a fazer streams assim que me for possível. Tenho saudades.

Sei que ainda há quem critique os homens da minha idade por gostarem de videojogos. Sinceramente, não quero saber. Cada pessoa tem os seus gostos, as suas paixões e as suas formas de relaxar. Não vejo porque haveria de abandonar algo de que gosto só porque alguém considera que já tenho idade para fazer outras coisas.

Os meus hobbies não precisam de ser rentáveis, transformar-se num negócio ou justificar o tempo que lhes dedico. Também posso fazer coisas simplesmente porque gosto delas.

O meu setup de gaming com monitor, teclado, microfone e computador iluminado a azul
Um espaço meu, onde posso desligar do mundo, dedicar-me aos meus hobbies e voltar a fazer aquilo de que gosto.

Este espaço representa uma parte importante de mim. É onde posso jogar, explorar os meus simuladores, criar conteúdo e, espero, voltar a partilhar alguns desses momentos com quem me acompanha. Quero voltar a ter essa motivação e sentir o prazer de fazer algo sem estar sempre a pensar no dinheiro ou naquilo que posso ganhar com isso.

A casa que quero ter um dia

Ter a minha própria casa continua a ser um dos meus objetivos.

Não penso nela apenas como uma conquista financeira ou como uma forma de dizer que consegui chegar a determinado patamar. Penso sobretudo na independência, na tranquilidade e na liberdade de construir um espaço à minha medida.

Gostava de ter um lugar para o Duarte, onde ele se sentisse confortável, e um espaço meu, com o meu setup, os meus jogos e os meus projetos. Um sítio onde pudesse chegar ao fim de um dia de trabalho, fechar a porta e simplesmente desligar do mundo.

Sei que não é algo que se resolva de um dia para o outro. Exige dinheiro, planeamento e paciência. Por isso, quero continuar a trabalhar para esse objetivo, mas sem voltar a cair no erro de sacrificar tudo o resto para chegar lá mais depressa.

Ainda estou a aprender

Não vou dizer que encontrei todas as respostas, porque não encontrei.

A ansiedade continua a fazer parte dos meus dias. Há momentos em que quero que tudo se resolva rapidamente e em que me pergunto se vou conseguir ultrapassar todas as dificuldades. Nem sempre é fácil aceitar que algumas coisas precisam de tempo.

Mas estou a tentar aprender a lidar com isso de outra forma. Em vez de querer resolver a vida inteira de uma vez, procuro concentrar-me nos passos que posso dar agora. Controlar melhor os gastos, organizar o trabalho, descansar, estar presente para o Duarte e voltar a dedicar algum tempo às coisas de que gosto.

São mudanças que, vistas individualmente, podem parecer pequenas. Para mim, fazem parte de algo muito maior.

Não preciso de ter tudo resolvido hoje. Preciso de continuar a avançar sem me esquecer de viver enquanto o faço.

Uma vida melhor, um passo de cada vez

Se há alguma coisa que quero retirar desta fase, é que o dinheiro ajuda muito a alcançar objetivos e a ter segurança, mas não é tudo.

Não podemos sacrificar a nossa saúde, o nosso descanso, as pessoas de quem gostamos e as nossas paixões apenas para ver mais dinheiro na conta bancária. Pelo menos, não quero que essa seja a minha forma de viver.

Quero continuar a construir o meu futuro, conquistar a minha independência e dar melhores condições ao Duarte. Quero recuperar os meus projetos, voltar aos streams e ter tempo para aquilo que me faz feliz.

Ainda há caminho pela frente e sei que nem todos os dias serão fáceis. Mas não preciso de chegar ao fim desse caminho amanhã.

Por agora, quero continuar a dar um passo de cada vez, construir uma vida em que me sinta bem comigo próprio e não esquecer que viver melhor também significa aproveitar o presente.

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